NÚCLEO DE INVESTIGAÇÃO PSICANALÍTICA EM TOXICOMANIA E ALCOOLISMO – NIPTA
- Coordenação: Paula Nathalie Nocquet e Soledad Torres
- Equipe de trabalho: Leonardo Mendonça e Mauro Agosti.
- Participantes
- Psicanalistas e psicólogos que trabalham ou se interessam pela clínica da toxicomania.
- Participantes do ICPOL.
- Trabalhadores em instituições (psicólogos e outros profissionais da saúde mental como médicos, assistentes sociais, enfermeiros etc.)
- Título da pesquisa: Apontar para o eXcesso
- Tema de pesquisa: A interpretação e o ato analítico na clínica das toxicomanias.
- Modalidade dos encontros: Presencial para moradores da grande Florianópolis e on-line para moradores de outras regiões.
- Local: Edifício Laguna Corporate Center – Sala 1101. Rua Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 32, Itacorubi – Florianópolis.
- Dia e horário: 1ªas e 3ªas Segundas-feiras do mês das 20h às 21h30min.
- Início: 16 de março de 2026 às 20h.
- Datas dos encontros:
- 16/03
- 06/04
- 20/04
- 04/05
- 18/05
- 01/06
- 15/06
- 06/07
- 03/08
- 17/08
- 21/09
- 05/10
- 19/10
- 02/11
- 16/11.
- Inscrições: paulanocquet@hotmail.com
Proposta de pesquisa 2026
Apontar para o eXcesso
A interpretação e o ato analítico na clínica das toxicomanias
Após um ano de pesquisa em torno do livro Clínica do excesso: derivas pulsionais e soluções sintomáticas na psicopatologia contemporânea de Domenico Cosenza, o Núcleo de Investigação Psicanalítica em Toxicomania e Alcoolismo (NIPTA), que pertence a Rede TyA do Campo Freudiano, propõe uma continuidade nesse trabalho, tomando como fio condutor a questão das intervenções do analista nessa clínica. Se como afirma Miller, “na cura do toxicômano, se fala de desmame e não de castração. Acredita-se poder efetuar essa operação de renúncia à droga pela fala, ou o desmame da – ou das substâncias tóxicas é a condição, prévia, da cura pela palavra?”[1]. Se a toxicomania se caracteriza por um modo de gozo que prescinde do corpo do Outro e se articula a um rechaço do inconsciente, que lugar resta para a interpretação e para o ato analítico? Como apostar no inconsciente?
Diante de uma complexidade na relação com a via da palavra como cura a toxicomania impõe ao psicanalista modéstia, como sublinha Miller e afirma que a toxicomania se apresenta, sobretudo, como “um anti-amor”: “A toxicomania prescinde do parceiro sexual e se concentra, se dedica ao parceiro (a)-sexuado do mais-de-gozar. (…) A toxicomania é atual, ela pertence a uma época que prefere o objeto a em detrimento do Ideal”[2]. Dessa maneira, o recurso às drogas dá a ilusão de poder bordear o real através de um modo de gozo sem passar pelo Outro. Se na clínica do excesso nos deparamos com um indivíduo na busca por prazeres em sua face sem limites, um “não posso parar”, qual é a margem de manobra para os praticantes da psicanálise? Podemos pensar que se trata de apontar para o X, — à maneira do dedo de João Batista, como ilustra Lacan — esse x que marca o desconhecido da singularidade do gozo de cada um, o x da fixação de gozo do sujeito? Esse x que dá lugar à dimensão do enigma e é inerente à experiência analítica desde as suas origens.
A proposta é continuar a pesquisar o que está em jogo na função singular do tóxico, tensionando a experiência da droga com a experiência do inconsciente, para assim pensar o fazer do analista a partir de casos clínicos que ensinam e orientados pelo tema do XXVI Encontro Brasileiro do Campo Freudiano que acontecerá em Florianópolis.
Bibliografia orientadora
Cosenza, D. (2024): A clínica do excesso. Scriptum.
Freda, F.-H. (2016): Soy toxicómano. UNSAM EDITA.
Laurent, R.: A interpretação: da escuta ao escrito.
Laurent, E.: A interpretação: da verdade ao acontecimento, em Curinga nro 50.
Leguil, C. (2025): La era de lo tóxico. Ned ediciones.
Miller, J.-A.: A palavra que fere.
Miller, J.-A.: Ler um sintoma. – https://ampblog2006.blogspot.com/2011/08/jacques-alain-miller-ler-um-sintoma.html
Miller, J.-A.: O escrito na fala.
Miller, J.-A.: A interpretação pelo avesso.
Miller, J.-A.: A teoria do parceiro. Revista Pharmakon nro 4. – https://pharmakondigital.com/volume-no04/
Salman, S.: Leer el fantasma, leer un síntoma.
Sinatra, E. (2020): Adixiones. Grama.
Sinatra, E.: Un hombre intoxicado y desintoxicación real. En Nosotros, los hombres. Un estudio psicoanalítico. P. 107
Tarrab, M.: Una experiencia vacía.
Verger, T. (2024): El límite del órgano y su más allá. Las toxicomanías y la cuestión trans. Tres haches.


