NÚCLEO PANDORGA
Núcleo de Pesquisa e Investigação Clínica de Psicanálise com Crianças
- Coordenação: Valesca Lopes e Carolina Maia Scofield (adjunta)
- Modalidade: Presencial
- Endereço: R. Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 32. Itacorubi. Ed. Laguna Corporate Center.
- Horário: 20h30min às 22h
- Inscrições: valescamlopes25@gmail.com
O valor das mensalidades (de março a novembro) é de R$100,00 para não participantes do CPOL ou de nenhum outro Núcleo de Pesquisa oferecido pelo ICPOL. Os participantes do CPOL terão desconto de 50% a partir da primeira inscrição para Núcleos de Pesquisa e não participantes do CPOL, terão 50% na mensalidade a partir da segunda inscrição para Núcleos de Pesquisa no ano de 2026.
O corpo pulsional da criança e seus objetos
O Núcleo Pandorga – Núcleo de Pesquisa e Investigação Clínica de Psicanálise com Crianças, no biênio 2026-2028, gostaria de dar um lugar eminentemente clínico à sua pesquisa, deixando as crianças nos ensinarem sobre o modo como enlaçam um dizer ou um saber-fazer à experiência com seus corpos, com os corpos dos outros, com os objetos que usam, manipulam, produzem, interagem ou rechaçam.
O impacto dos ‘barulhos da língua’, seus ecos no corpo, sua materialidade sonora e as nomeações possíveis dessa experiência, atravessada pelos discursos de uma época, também compõem o material vivo na cena analítica que pode nos servir de bússola para pensar o sofrimento psíquico e o laço social em jogo na clínica com crianças hoje.
Se, em nosso tempo, observa-se uma proliferação vertiginosa de diagnósticos baseados no comportamento e nas inadaptações da criança, acompanhada de um uso crescente da medicalização da infância, reduzindo o mal-estar infantil a categorias normativas, a clínica psicanalítica é delicada exatamente porque não pode ser ávida por significações generalizantes. Sobre isso, Lacan nos adverte com uma aposta no “falasser” – que precisa dar consistência ao corpo que tende a ‘sair fora’ a todo instante[1] – o que implica escutar a criança ou o adolescente como alguém que responde, à sua maneira, ao real da pulsão e ao discurso da época.
Ele retoma e reformula a teoria freudiana das pulsões ao articulá-la ao objeto a, localizando-o como aquilo que orienta o circuito pulsional e causa o desejo. Segundo o autor, as pulsões oral, anal, escópica e invocante não visam um objeto natural, mas giram em torno de um vazio estrutural. O que implica que o circuito pulsional não se fecha sobre a satisfação plena, mas contorna um ponto de perda, localizando um modo singular de gozo. Na clínica com crianças e adolescentes, comer, reter ou expulsar, olhar e ser olhado, falar ou se calar são alguns dos modos pelos quais o sujeito experimenta esse resto de gozo, para além da inscrição significante.
Propomos realizar uma pesquisa em torno da pulsão e do objeto a, tomando como eixo a clínica contemporânea. Através dos casos clínicos apresentados, investigaremos a singularidade do modo de gozo e suas relações com o significante. O que as crianças, em suas relações com o corpo, com a linguagem e com os objetos, nos ensinam sobre as formas de sofrimento psíquico e de laço social?
Outro eixo fundamental da pesquisa será a presença do analista. Pensar de que modo, na orientação lacaniana, o analista pode funcionar como suporte do objeto a com seu corpo, sem ocupar o lugar de objeto de satisfação, mas sustentando uma posição que possibilite ao sujeito circunscrever o gozo. Em um contexto atravessado pelo discurso capitalista e das tecnociências, no qual o excesso de objetos, diagnósticos e respostas rápidas tende a capturar o sujeito, podemos então nos perguntar: como sustentar a presença do analista? Como o analista pode operar para não ocupar o lugar de mais um agente de adaptação ou de consumo e favorecer a emergência de um desejo da criança ou do adolescente ou de outro modo de fazer ali onde o gozo se apresenta sem bordas?
Cronograma – Primeiro Semestre
- Março
- 24/03 – Apresentação da pesquisa e textos de orientação da Rede Cereda.
- Abril
- 14/04 – Uma fábrica de brinquedos – Apresentação de caso clínico por Eliana Motta.
- 28/04 – Discussão do caso clínico da Eliana Motta com textos teóricos.
- Maio
- 12/05 – Do susto à surpresa – Apresentação de caso clínico Carolina Scofield.
- 26/05 – Discussão caso clínico da Carolina Scofield com textos teóricos.
- Junho
- 09/06 – Caso Roberto e o ponto de angústia – Apresentação de caso clínico Márcia Frassão.
- 23/06 – Discussão caso clínico da Márcia Frassão com textos teóricos.
- Julho
- 14/07 – Fechamento do semestre.


