NÚCLEO DE PESQUISA EM PSICANÁLISE E LITERATURA
- Horário: primeiras e terceiras QUINTAS-FEIRAS das 20h às 21h30min.
- Modalidade: Presencial em Florianópolis e On-line para as demais regiões
- Endereço: R. Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 32. Itacorubi. Ed. Laguna Corporate Center.
- Coordenação: Gresiela Nunes da Rosa (EBP/AMP)
- Equipe de Coordenação: Gustavo Ramos da Silva (EBP/AMP), Juan Galigniana, Priscila de Sá Santos e Waléria Nunes
- Inscrições:
gresielanr@gmail.com
gustavofloripa16@gmail.com
jcgaligniana@gmail.com
priscila.sdesasantos@gmail.com
nuneswaleria@gmail.com
O valor das mensalidades (de março a novembro) é de R$100,00 para não participantes do CPOL ou de nenhum outro Núcleo de Pesquisa oferecido pelo ICPOL. Os participantes do CPOL terão desconto de 50% a partir da primeira inscrição para Núcleos de Pesquisa e não participantes do CPOL, terão 50% na mensalidade a partir da segunda inscrição para Núcleos de Pesquisa no ano de 2026.
Proposta de pesquisa para o ano de 2026:
Clarice, a Sinthoma
“Talvez seja a maior autobiografia espiritual do século XX”, disse Benjamin Moser na biografia de Clarice Lispector que escreveu. É realmente uma frase provocante, porque claro está que não se trata de tomar a palavra espiritual a partir de questões religiosas ou místicas. Mas, ao mesmo tempo, esta palavra já anuncia que não é o caso de colhermos na obra de Clarice uma autobiografia ligada aos fenômenos da realidade vivida, que a autobiografia aí é de outra dimensão. Como ler esse espiritual proposto por Moser? Seria possível propor que esta autobiografia diga respeito à relação que a autora tem com a linguagem?
Em seu texto “O sinthoma”, Eric Laurent nos propõe fazer uma investigação: «Clarice Lispector – o sinthome ou a sinthome». Esta foi também uma provocação muito interessante, pois até então só tínhamos usado essa nomeação em se tratando de James Joyce. Foi assim que Lacan o nomeou, e isso resultou em uma nova maneira de pensar tanto a constituição do sujeito quanto o próprio dispositivo de tratamento psicanalítico. Essa proposta de Laurent nos leva a perguntar se há uma equivalência entre Joyce e Clarice. Mas se há aí alguma equivalência, talvez possamos dizer que se trata de ver nestes dois escritores a capacidade de manusear a linguagem levando-a mais além de seus limites. Os dois, cada um a seu modo, puderam fazer da linguagem um instrumento para tocar o real.
Neste Núcleo de Pesquisa em Psicanálise e Literatura, trabalhamos com Joyce em anos anteriores. E essa pesquisa nos levou, no último ano, ao tema da escrita de si, importante fenômeno literário da atualidade. Se é possível ler em Joyce a escrita de si não só porque suas obras portam certos elementos autobiográficos, mas porque Lacan nos ajudou a ler que sua escrita permitiu uma escrita de um eu para o autor, nos perguntamos sobre a escrita de si na atualidade, se ela também comporta uma tentativa de consolidação do eu. Nos perguntamos se seria possível pensar em alguma relação desta forma de literatura com o que é a experiência analítica. A psicanálise, como essa disciplina que convidou os sujeitos a olharem para a própria história com finalidade de tratamento tem alguma coisa a ver com termos chegado a este acontecimento contemporâneo que é a exacerbação da literatura da escrita de si?
Mas sabemos que uma experiência analítica não se dirige à solidificação do eu, da identidade; a partir dela, pelo contrário, se pode extrair a possibilidade de se sustentar a existência mais além da necessidade da consolidação do Ser. Neste ponto podemos pensar em outra escrita de si, uma que possa dizer mais do gozo do que da identidade.
Este ano, então, daremos uma volta, um retorno ao tema do sinthoma. Para isso propomos dar as mãos à Clarice Lispector e pesquisar como sua escrita pode nos ajudar a entender o uso da linguagem nos temas ligados à clínica psicanalítica.
Bibliografia:
LISPECTOR, Clarice:
Romances: Água viva, A paixão segundo GH.
Contos: o ovo e a galinha (mistério absoluto), a mensagem (legião estrangeira), o amor, a menor mulher do mundo.
Entrevista: https://www.youtube.com/watch?v=ohHP1l2EVnU
CALDAS, Heloisa. Da voz à escrita: clínica psicanalítica e literatura. Rio de Janeiro: Contra Capa, 2007.
CIXOUS, Hélene. A hora de Clarice Lispector. São Paulo: Editora Nós, 2022.
DIDI-HUBERMAN, Georges. A vertical das emoções: as crônicas de Clarice Lispector. Belo Horizonte. Relicário, 2021.
FAJNWAKS, Fabián. Clarice Lispector: escribir desde lo subrepticio. In: Enlaces: psicoanálisis y cultura. Número 28. Buenos Aires: setembro de 2022.
INDART, Juan Carlos. De la histeria sin nombre del padre. Buenos Aires: Grama ediciones, 2014.
LACAN, Jacques. De uma falácia que testemunha do real. In: O Seminário, livro 23: o sinthoma, 1975-1976. Rio de Janeiro: Zahar, 2007.
LAURENT, Eric. El sinthome. <https://www.revconsecuencias.com.ar/ediciones/014/template.php?file=arts/Derivaciones/Conferencia-El-Sinthome.html>
LAURENT, Eric. Falar com seu sintoma, falar com o seu corpo <https://enapol.com/vi/pt/portfolio-items/falar-com-seu-sintoma-falar-com-seu-corpo/>
LIBRANDI, Marília. Escrever de ouvido – Clarice Lispector e os romances da escuta. Belo Horizonte: Relicário, 2020.
MILLAN, Betty. Hélène Cixous: A arte de Clarice Lispector. In: https://www.bettymilan.com.br/helene-cixous-a-arte-de-clarice-lispector/ (acesso em 19-11-2022)
MOSER. Benjamin. Clarice, uma biografia. São Paulo: Cosac Naify, 2011.
NODARI, Alexandre. “Tornar-se”: notas sobre a “vida secreta” de Clarice Lispector. <https://site.claricelispector.ims.com.br/tag/alexandre-nodari/>
RUBINETTI, Cecilia Rubinetti. Qué enseña sobre la histeria rígida?
SILVA, Rômulo. Clarice: “… meu tranquilíssimo delírio”. In: Opção Lacaniana. no. 89. São Paulo: Edições Eolia, dez de 2024.
Cronograma:
- Março: 19
- Abril: 02 e 16
- Maio: 07 e 21
- Junho: 04 e 18
- Julho: 02
- Agosto: 06 e 20
- Setembro: 03 e 17
- Outubro: 01 e 15
- Novembro: 05 e 19


