Ateliês de Leitura

Ateliê de Leitura do Seminário XIV – a Lógica do Fantasma

Responsável: Ruberval Silva ruberval.menezes@gmail.com

O caráter fragmentado e fragmentador do pensamento recalcado é o que a nossa experiencia de cada dia na psicanálise nos ensina – Seminário XIV p. 113.

Dar continuidade à leitura do Seminário XIV a partir do item 7 (pág. 109) e seguir refinando as noções de que a lógica em jogo não é a da consistência, mas a do furo; de que o sujeito emerge no ponto onde o sistema simbólico não pode se totalizar – o uso feito por Lacan do paradoxo de Russel ilustra esse ponto – e de que o objeto a figura como um resíduo lógico dessa falha estrutural. O texto lacaniano não se presta a uma leitura formal e conceitual totalizadora; portanto, o refinamento das noções irá seguir uma tentativa de desmontagem – feita em conjunto ao longo do ateliê – das referencias e usos da lógica matemática e demais para tentar captar suas articulações com a ideia lacaniana (psicanalítica) de fantasma.

A fundamentação de que a estrutura do fantasma é similar com a estrutura de um paradoxo lógico-formal é um ponto central a ser conversado. O fantasma como suporte lógico do desejo e a ideia de “atravessamento da fantasia” não como a revelação e elucidação de um conteúdo oculto, mas como uma modificação da relação do sujeito com a impossibilidade. Dito de outra forma, em associação livre sob transferencia repetir não é buscar o mesmo.

A justificativa segue o uso clinico na medida em que o fantasma pode ser lido como uma solução lógica (falada, manifestada pelo significante) mínima que o sujeito apresenta para a inconsistência do simbólico e para a impossibilidade de uma relação sexual escrita.

Referência
Lacan J. O Seminário, Livro 14 : A Lógica do Fantasma. Rio de Janeiro,  Zahar, 2024.

Encontros

  • Datas: Primeiras e terceiras sextas-feiras de cada mês
  • Horário: 10h às 11h30min
  • Modalidade: on-line
  • Inscrições: ruberval.menezes@gmail.com
  • Atividade gratuita

 

Março

  • 20/03

Abril

  • 03/04
  • 17/04

Maio

  • 01/05
  • 15/05

Junho

  • 05/06
  • 19/06

Julho

  • 03/07

Agosto

  • 07/08
  • 21/08

Setembro

  • 04/09
  • 18/09

Outubro

  • 02/10
  • 16/10

Novembro

  • 06/11
  • 20/11

Dezembro

  • 04/12
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Ateliê de Leitura do Seminário 10: a angústia

  •  Responsável: Mariana Dias
  • Inscrições: marianadiias@gmail.com
  • Datas: segundas e quartas sextas-feiras do mês.
  • Horário: 10h30min às 12h
  • Modalidade: Presencial
  • Local: R. Professor Ayrton Roberto de Oliveira, 32. Itacorubi. Ed. Laguna Corporate Center.
  • Início: 27 de março
  • Atividade gratuita

Como pensar o contemporâneo sem a dimensão da angústia, seus efeitos e consequências? Assim como a angústia não é sem objeto, diz Lacan numa das passagens mais eminentes do Seminário 10, também o contemporâneo não é sem a angústia.

Elegendo a angústia como o tema de seu décimo seminário, Lacan ravinou uma via de acesso ao objeto a, erigindo uma clínica do resto. Localizando este objeto no acting out e na passagem ao ato, no luto e na melancolia, no sadismo e no masoquismo, nos mostra uma arquitetura: a lógica do objeto a.

Neste Seminário, Lacan dá um passo que vai da biologia à lógica, superando o obstáculo freudiano da angústia de castração, em direção a uma função generalizada do objeto a. Trata-se de um modo de extrair um resto que não se presta nem à dialética e nem ao significante. Trata-se do passo de um herético em busca daquilo de mais singular.

O Seminário 10 é a ultrapassagem de um Rubicão em direção à Orientação Lacaniana. Para Jésus Santiago, uma orientação definida pelo primado da prática, porque para além dos axiomas e das demonstrações da teoria, o ensino de Lacan abre para o caráter contingente das estruturas que concernem à experiência do real[1].

O Ateliê de Leitura do Seminário 10: a angústia é, portanto, não menos do que um convite aos corajosos, curiosos e interessados em experimentar esta caminhada com Lacan, que ao mesmo tempo em que é uma eleição solitária, não é sem os outros!

DATAS:

  • 27/03
  • 10/04
  • 24/04
  • 08/05
  • 22/05
  • 12/06
  • 26/06
  • 10/07
  • 14/08
  • 28/08
  • 11/09
  • 25/09
  • 09/10
  • 23/10
  • 13/11
  • 27/11
[1] SANTIAGO, J. (2024). “A pragmática lacaniana: inconsciente e sintoma não sem o tempo e o corpo”. Rio de Janeiro: Contra Capa, p. 22.
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Ateliê de Leitura: Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise

O ateliê de leitura do Seminário 11, de Jacques Lacan — Os quatro conceitos fundamentais da psicanálise têm como proposta sustentar um espaço de elaboração epistêmica que possa cernir pontos candentes da técnica psicanalítica, tomando como norte os desenvolvimentos propostos por Lacan.

Os encontros terão início no 23 de março de 2026 e serão dedicados à leitura guiada e à discussão dos capítulos, articulando noções como inconsciente, repetição, transferência e pulsão e convocando cada participante a contribuir a partir de sua pesquisa individual.

As vagas serão limitadas, permitindo que o grupo trabalhe de forma intimista. Caso algum participante desista, entraremos em contato com os interessados a partir da lista de inscritos.

  • Responsável: Paula Goulart e Alessandra Silva
  • Vagas: 10 participantes
  • Duração: segundas e quartas segundas feiras
  • Horário: 19h30min às 21h
  • Início: 23 de março
  • Onde: Sala de reuniões – Empresarial Jardim Sul (Rua João Wycliff, 111 – Londrina – PR)
  • Inscrição: goulartvianna@gmail.com
  • Atividade gratuita

Programa:

MARÇO

  • 23/03

ABRIL

  • 13/04
  • 27/04

MAIO

  • 11/05
  • 25/05

JUNHO

  • 08/06
  • 22/06

JULHO

  • 13/07

AGOSTO

  • 10/08
  • 24/08

SETEMBRO

  • 14/09
  • 28/09

OUTUBRO

  • 26/10

NOVEMBRO

  • 09/11
  • 23/11

DEZEMBRO

  • 14/12 – Conversação final
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Ateliê de Psicanálise, Artes e Corpo: o suporte e os restos

Coordenação: Luciana Eastwood Romagnolli e Priscila de Sá Santos

APRESENTAÇÃO

Esta é uma proposta para a edição 2026 do Ateliê de Psicanálise, Artes e Corpo, em continuidade ao trabalho realizado no ICPOL de setembro a dezembro de 2025. A primeira proposição foi reduzida de acordo com o tempo disponível para os encontros naquele período breve. Neste ano, voltamos ao tema de forma mais estendida, relançando as questões: “O que as formulações de Lacan sobre o imaginário e o corpo nos ensinam sobre o corpo falante? De quais modos nos permitem aproximações às artes contemporâneas que privilegiam o corpo desde os anos 1970? E o que essas expressões artísticas podem ensinar aos psicanalistas sobre os arranjos entre corpos e discursos, para além do especular e da dimensão escópica, considerando que, um corpo, isso se goza?”. Elas insistem como direção para o trabalho por vir.

Seguiremos com a investigação sobre as concepções de corpo falante no último ensino de Jacques Lacan e suas incidências para as artes desde a década de 1970 à atualidade, a partir de textos psicanalíticos de Lacan, Miller, Brousse, Santiago, mas também de outros pesquisadores da arte e da estética. Para acompanhar as leituras teóricas, selecionamos algumas fotografias e espetáculos teatrais que elaboram, a seus modos singulares, questões próximas ao tema proposto.

Consideramos que um dos efeitos do giro performático nas artes, nos anos 1970, foi a destituição da prevalência do olhar (sem excluí-lo) por uma concepção das artes do corpo em termos de “acontecimento”; envolvendo a oralidade, a analidade, a voz e o nada; e, por vezes, explorando disjunções entre imagem, discurso e gozo. Com isso, abrem-se outras possibilidades de aproximação entre a experiência estética e a da psicanálise.

Uma delas é a questão da sublimação, tema que se entrelaça à expressão performática pela via do escabelo – esta sublimação que Miller afirma acontecer no âmbito do “eu não penso” e que inclui o gozo. Quando as artes do corpo produziriam um objeto elevado sobre o escabelo à dignidade da coisa?

Ainda com Miller, em “O osso de uma análise”, indagamos: “Joyce fez do próprio sintoma como fora do sentido, ininteligível, o escabelo de sua arte. Ele criou uma literatura cujo gozo é tão opaco quanto o do sintoma, nem por isso deixando de ser um objeto de arte elevado sobre o escabelo à dignidade da Coisa. Podemos nos perguntar se a música, a pintura, as Belas-Artes [e, acrescentamos, as artes performáticas] tiveram seu Joyce”?

Em outro texto, “A Salvação pelos Dejetos”, Miller propõe que o procedimento da arte é o de “estetizar o dejeto, de idealizá-lo, ou como dizemos em psicanálise, de sublimá-lo”, mas se afasta da posição de Lacan no “Seminário 7”, uma vez que já não se trata de “elevar o objeto à dignidade de Coisa”, enquanto “uma versão sublimada do gozo”, pois “o gozo como tal […] não tem a dignidade com que se recobrir”. Então, propõe que, quando o gozo “não é rebaixado à indignidade do dejeto, ele é sublimado, ou seja, socializado. O que chamamos ‘sublimação’ efetua uma socialização do gozo […], integrado ao laço social, ao circuito das trocas. Ele é colocado a trabalho no discurso do Outro e para o seu gozo”.

Poderíamos dizer que a arte contemporânea, ao abdicar do ideal de belo das Belas Artes, apresenta modos de saber fazer com o estranho e com os restos? E que encontra formas de tratar os dejetos não pela elevação à Coisa, mas pela socialização, inclusive de sua indignidade?

Em um percurso que teve início recolhendo as formulações de Lacan sobre o olhar no “Seminário 11”, seguiremos em direção às reformulações de seu último ensino, sobre lalíngua, gozo e RSI, presentes em “A Terceira” e nas leituras de psicanalistas que se esforçam em se posicionar à altura de seu tempo. Fazemos então, novamente, o convite ao trabalho com textos de Psicanálise, crítica de arte contemporânea e produções artísticas.

Para tanto, iniciaremos com uma retomada do trabalho desenvolvido em 2025 a partir de seus restos, retornando ao Seminário 11 para, a partir daí, avançar com a discussão sobre as concepções de arte, e da leitura da arte, na contemporaneidade, aquém/além da interpretação e da bela forma, enquanto acontecimento, experiência, invenção.

As obras artísticas selecionadas para o trabalho deste ano se dividem entre as artes visuais e o teatro:

– Minha língua – Lenora de Barros

– Série Siluetas – Ana Mendieta

– Vaga Carne – Grace Passô

– O céu da língua – Gregório Duvivier

– Medéia, Antígona, Ofélia e Agnes – o trágico e o feminino

CRONOGRAMA

  • Horário: 2ª e 4ª Segundas-feiras do mês, das 18h30min às 20h
  • Modalidade on-line.
  • Inscrições: lucianaromagnolli@gmail.com
  • Atividade gratuita

PROGRAMA

16/03. Apresentação da Proposta. Aproximações entre Psicanálise e Artes

30/03. Retomada e conclusão da leitura do Seminário 11, de Jacques Lacan.

13/04. Discussão do texto acompanhada de leitura de obras artísticas.

27/04. Leitura de “Semiologia da Consciência” in: Psicopatologia Lacaniana vol.1, de Antônio Teixeira e Heloisa Caldas.

11/05. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

25/05. Leitura de “O suporte corporal”, texto de Graciela Brodsky.

08/06. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

22/06. Leitura de “Corpos lacanianos”, de Marie-Hélène Brousse.

06/07. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

10/08. Leitura de “A salvação pelos dejetos”, de Jacques-Alain Miller

24/08. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

07/09. Feriado

21/09. Leitura de trecho de “O osso de uma análise”, de Jacques-Alain Miller.

12/10. Feriado

26/10. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

09/11. Leitura de trecho de “A Terceira”, de Jacques Lacan.

23/11. Discussão dos textos acompanhada de leitura de obras artísticas.

07/12. Leitura de “O novo imaginário é o corpo”, de Jésus Santiago.

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